Recriação rigorosa da União de Freguesias de Proença-a-Nova e Peral
Um enorme sucesso, é assim que se pode classificar o evento "As Malhas-reviver a tradição", levado a cabo pela União de Freguesias de Proença-a-Nova e Peral, com centenas de pessoas a participarem nas atividades.
Como estava prometido, o evento começou com a atuação dos Bombos da Casa do Benfica de Proença, que acompanharam os ceifeiros e os participantes, num percurso pelas ruas da aldeia de Vale da Mua até ao campo a ceifar. Cerca de sete homens arregaçaram as mangas e depressa ceifaram o campo de trigo, sempre sob o olhar atento das aguadeiras que distribuíam água, pois o calor isso exigia, mas acima de tudo quis cumprir-se a tradição. A visita à fonte de mergulho da Corga foi outro momento alto, pois era ali que as mulheres iam buscar a água para matar a sede aos sedentos ceifeiros.
A alegria era imensa no rosto de todos, principalmente dos mais velhos, que outrora ceifaram com a tradicional foice e agora quiseram revivê-lo.
O cereal foi depois atado e carregado para duas carroças puxadas por burros. Dali seguiu para a eira, sempre acompanhados por centenas de pessoas. Uns fotografam, outros filmaram, outros, boquiabertos, vibravam com a recriação rigorosa. Tal não foi o impacto desta iniciativa. Já na eira, retirou-se o cereal das carroças e colocou-se a jeito de poder ser malhado, ou seja, estendido sobre o terraço.
Os homens, desejosos de começar a malhar, afagavam os manguais, alguns construídos propositadamente para o momento, enquanto outros são autênticas relíquias. Todos queriam começar a malha e já, mesmo antes do almoço, tal não era o entusiasmo e até um certo nervosismo. Mas foi servido o almoço, com a sopa da malha a fazer as delícias de todos. Cerca de 218 pessoas estiveram presentes. A tradicional tigelada encerrou o repasto.
Ao ritmo do toque Bombos da Casa do Benfica iniciou-se a malha com os homens a dividirem-se em grupos.
De modo a retemperar as forças, ia sendo distribuído o chamado refresco da malha, uma composição líquida com grande valor calórico, também como mandava a tradição.
Com pancadas firmes, a provar que não perderam o jeito, gerou-se até um certo despique. Ao remexer a palha, o trigo lá ia aparecendo. Depois foi joeirado, ou seja, separado das impurezas e crivado.
No final atuou o Rancho Folclórico os Resineiros de Corgas e foi servido um lanche, onde não faltaram as iguarias próprias do momento. A morcela, o queijo, o pão de milho e de trigo caseiro e as filhós, entre outros.
Um grupo de acordeonistas abrilhantou a tarde. António Barateiro, exímio tocador, não faltou à chamada. Acompanhado pelo seu aluno Diogo Marçal, espalhou talento pelo recinto.
O presidente da União de freguesias, Jorge Cardoso, não podia estar mais satisfeito no final, pois o evento foi um grande sucesso.
Os restantes elementos da Junta-Assis Cardoso e Abílio Baltazar, estiveram também ao mais alto nível. João Paulo Catarino e os vereadores João Lobo e João Manso marcaram presença. Catarino mostrou a importância de reviver as tradições, pois realçam as nossas raízes. Depois elogiou o trabalho de Jorge Cardoso, que tem mostrado grande competência.
